Entre os quarenta nomes que compõem a Academia Brasileira de Letras, há um que carrega o brilho discreto da inteligência serena: Marco Lucchesi. Poeta, tradutor e professor, sua presença na ABL é a de um homem que fez da palavra o seu lar. Ocupante da cadeira número 15, sucedeu o escritor Luiz Paulo Horta e, desde então, tornou-se símbolo de uma geração de intelectuais que unem erudição e sensibilidade.
Durante sua gestão como presidente da Academia Brasileira de Letras, Lucchesi abriu as portas da casa de Machado de Assis para novos públicos, aproximando a ABL das escolas, universidades e da sociedade civil. Sob sua direção, a cultura voltou a ocupar o espaço que lhe pertence: o centro da vida nacional.
As origens e a formação
Marco Lucchesi nasceu no Rio de Janeiro, em 1963, filho de uma família de origem italiana. Desde cedo revelou uma curiosidade insaciável pelas línguas e pelos livros. Formou-se em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), onde também concluiu o mestrado, e obteve o doutorado em Ciência da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Ainda jovem, já dominava várias línguas e se aventurava em traduções complexas. Lia Dante, Rumi e São João da Cruz com a mesma naturalidade com que outros adolescentes liam revistas. Sua formação é um reflexo de uma vida voltada ao estudo e ao encantamento com a linguagem.
O escritor e o tradutor
Lucchesi é autor de mais de vinte livros que transitam entre poesia, ensaio e romance. Entre suas obras mais conhecidas estão Sphera, Os olhos do deserto, Meridiano Celeste e Bestiário e O dom do crime. Sua escrita combina precisão formal com emoção profunda, como se cada verso fosse o resultado de uma escavação na alma.
Além de poeta, é tradutor de autores árabes, italianos e russos, trazendo para o português nomes como Omar Khayyam, Rumi e Primo Levi. Como tradutor, cumpre o papel de mediador entre culturas — um dos traços mais nobres de sua carreira.
“Traduzir é hospedar o outro dentro da própria língua”, costuma dizer em entrevistas.
O ingresso na Academia Brasileira de Letras
Em 2011, Marco Lucchesi foi eleito para a cadeira número 15 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é Olavo Bilac, poeta e fundador da própria ABL. Sua posse foi marcada por um discurso emocionante, no qual afirmou que “a literatura é o espaço onde o humano se reencontra consigo mesmo”.
Mais tarde, como presidente da instituição, conduziu projetos de leitura pública, campanhas de alfabetização e parcerias com universidades. Lucchesi consolidou-se, assim, como um homem de letras que vê a cultura não como privilégio, mas como bem comum.
Um homem entre livros
Quem o conhece pessoalmente fala de um homem calmo, de fala pausada e olhar atento. Em sua mesa de trabalho, no salão nobre da ABL, pilhas de livros convivem com cartas, poemas e traduções em andamento. Lucchesi é, antes de tudo, um homem do livro — não apenas por escrevê-los, mas por habitá-los.
Sua obra reflete esse amor silencioso pela cultura: o compromisso de manter viva a chama da leitura em tempos de distração. Mais do que intelectual, ele é um guardião da palavra, alguém que entende o poder cultural como força capaz de educar, inspirar e unir.
O legado e a importância
Marco Lucchesi representa o tipo de intelectual que o Brasil precisa: generoso, atuante e aberto ao diálogo. Seu trabalho ultrapassa as fronteiras da literatura e toca o campo da educação e da diplomacia cultural. Como presidente da ABL, foi recebido em diversos países e promoveu intercâmbios com academias de letras do mundo inteiro, projetando a cultura brasileira em escala global.
Vídeo recomendado
🎥 Assista ao vídeo do canal oficial da Academia Brasileira de Letras sobre Marco Lucchesi, que apresenta sua trajetória como escritor, tradutor e presidente da instituição:
https://www.youtube.com/watch?v=pIw9GfVJMBo
O vídeo mostra o poeta em entrevistas e momentos na sede da ABL, destacando sua dedicação à cultura, à educação e à preservação da língua portuguesa.
O essencial em poucas linhas
Marco Lucchesi é um dos grandes nomes da cultura brasileira contemporânea. Poeta, tradutor e professor, ele fez da palavra um ofício e um gesto de generosidade. Na Academia Brasileira de Letras, representa o encontro entre o saber e o serviço público da cultura.
Seu legado é o de um homem que compreendeu que o verdadeiro poder cultural nasce da humildade de aprender e da beleza de partilhar o conhecimento.