Há uma energia silenciosa que distingue as pessoas comuns das extraordinárias: a autoconfiança. Ela é a ponte entre o que somos e o que podemos nos tornar, o ponto de partida de toda realização humana. Sem autoconfiança, o talento se esconde, a inteligência hesita e as oportunidades passam despercebidas. Com ela, o impossível se torna apenas uma questão de tempo e persistência.
A autoconfiança não é arrogância nem vaidade. É a convicção íntima de que se é capaz de aprender, melhorar e agir com firmeza, mesmo diante das incertezas. O homem autoconfiante não espera as condições ideais para agir, ele as cria. Henry Ford, um dos maiores industriais da história, resumiu essa ideia com perfeição ao afirmar: “Se você acredita que pode, ou que não pode, de qualquer forma você está certo.” Essa frase simples encerra um princípio universal: o mundo exterior tende a se moldar às nossas crenças interiores.
O filósofo americano Ralph Waldo Emerson, em seu célebre ensaio Self-Reliance, escreveu que “nada é sagrado senão a integridade da própria mente”. Para ele, a autoconfiança é um ato moral, uma fidelidade à voz interior que nos guia. Emerson acreditava que o homem deve ser autossuficiente em espírito, livre das pressões sociais e do medo da desaprovação. A confiança em si mesmo é, portanto, um exercício de coragem e autenticidade.
Na vida real, essa força interior aparece nas pessoas mais improváveis. Um exemplo marcante é o do falecido colunista social Ibrahim Sued, ícone do jornalismo brasileiro, que conquistou o país com sua ousadia e charme, mesmo tendo pouca instrução formal. Nascido no Rio de Janeiro em 1924, Ibrahim começou a vida como repórter policial, mas sua ambição e autoconfiança o levaram ao topo da imprensa social. Sua famosa frase, “Dê uma alavanca e um apoio a Ibrahim Sued que ele é capaz de mover o mundo com sua audácia”, sintetiza sua personalidade vibrante.
Ibrahim não esperava reconhecimento: ele o provocava. Aparecia onde ninguém esperava, criava tendências, impunha estilo e transformava colunas sociais em um fenômeno cultural. O que sustentava esse poder de influência era a certeza de seu valor, mesmo quando o mundo duvidava. Essa autoconfiança era o seu diploma invisível, mais valioso que qualquer título acadêmico.
A história mostra que quase todos os grandes realizadores da humanidade partilharam desse mesmo espírito. De Leonardo da Vinci a Steve Jobs, de Marie Curie a Nelson Mandela, todos possuíam uma crença inabalável em sua própria capacidade de transformar ideias em realidade. Essa confiança, quando aliada ao esforço e à disciplina, se torna a força motriz da grandeza.
Mas é importante distinguir autoconfiança de ilusão. A verdadeira autoconfiança nasce do autoconhecimento, saber o que se sabe e o que ainda falta aprender. É uma convicção construída sobre a experiência, não sobre o ego. A pessoa autoconfiante reconhece seus erros sem se destruir por eles, pois entende que o fracasso é apenas um degrau do sucesso. É o que o filósofo estoico Sêneca já ensinava: “Não é porque as coisas são difíceis que não ousamos; é porque não ousamos que elas se tornam difíceis.”
A confiança em si mesmo é também um ato de responsabilidade. Quando acreditamos em nossa própria capacidade, deixamos de culpar o destino, o governo ou a sorte. Tornamo-nos protagonistas da própria história. Essa consciência é libertadora. Ela substitui a queixa pela ação, o medo pela tentativa, a dúvida pela perseverança.
No mundo contemporâneo, onde a insegurança e a comparação constante se tornaram hábitos digitais, cultivar a autoconfiança é um gesto de resistência. As redes sociais, com seus filtros e ilusões de perfeição, criam um cenário em que muitos se sentem menores. Mas a verdadeira força está em quem não precisa de aplausos para agir. O autoconfiante não se define pelo olhar dos outros, mas pela fidelidade à própria vocação.
O filósofo Olavo de Carvalho costumava dizer que “a confiança nasce da verdade”. Essa é uma das chaves mais profundas da autoconfiança: ela só é sólida quando se apoia na verdade. Aquele que vive de máscaras, cedo ou tarde, desaba. Já quem se conhece e se aceita como é, encontra um terreno firme para crescer. A autoconfiança não se improvisa; ela se constrói, dia após dia, nas pequenas vitórias, nas quedas superadas, na consciência de que estamos em movimento.
Ibrahim Sued simboliza esse poder transformador. Ele acreditou em si mesmo quando não havia garantias, e foi essa crença que o fez atravessar salões, microfones e décadas com o mesmo brilho. Sua autoconfiança era contagiante: fazia o Brasil acreditar que o sucesso era uma questão de atitude, não de berço.
Ao final, a autoconfiança é uma forma de fé, não no acaso, mas na capacidade humana de se reinventar. É o ponto onde o pensamento e a ação se encontram. O homem autoconfiante não é aquele que nunca teme, mas aquele que age apesar do medo. Ele compreende que cada passo dado com convicção abre caminhos invisíveis.
O essencial em poucas linhas
Autoconfiança é a raiz do êxito. Não se trata de acreditar cegamente em si mesmo, mas de ter coragem de agir, aprender e persistir. O incrível e incomparável Ibrahim Sued provou que a audácia pode compensar a falta de diplomas, desde que acompanhada de determinação. Quem confia em si mesmo não precisa que o mundo lhe diga que é capaz,ele simplesmente vai e faz!