Costuma-se dizer que a imprensa fiscaliza o poder. A frase parece correta, mas esconde um problema sério. Quem fiscaliza o fiscal? Quando um grupo passa a julgar comportamentos, reputações e decisões políticas todos os dias, ele também exerce poder. E todo poder precisa de limites.
A imprensa não condena legalmente, mas julga moralmente. Ao expor certas pessoas e ignorar outras, cria exemplos públicos. Ao repetir enquadramentos, constrói consensos artificiais. Ao selecionar o que merece indignação, educa emocionalmente a sociedade.
Isso não significa que o jornalismo seja inútil ou maléfico por natureza. Significa apenas que ele não é neutro. Nenhuma atividade que interpreta a realidade pode ser. O problema começa quando o público acredita que aquilo que lê ou assiste é apenas um espelho fiel dos fatos.
Observar a imprensa é um exercício de maturidade cívica. Perguntar o que ficou de fora, por que certos temas se repetem e outros desaparecem, quem ganha e quem perde com determinado discurso. Esse tipo de atenção protege o cidadão da ingenuidade e fortalece a vida democrática.
Uma sociedade adulta não confunde imprensa com oráculo. Reconhece seu papel, seus limites e sua influência real.
O essencial em poucas linhas
A imprensa informa, mas também forma juízos. Observá-la criticamente é condição básica da liberdade intelectual.