Cultura não é entretenimento, segundo Olavo de Carvalho

Uma das confusões mais nocivas do mundo contemporâneo é chamar de cultura aquilo que serve apenas para distrair. Essa diluição do conceito não é inocente: quando tudo vira cultura, nada mais forma o espírito. O resultado é uma sociedade saturada de estímulos e carente de critérios.

Para Olavo de Carvalho, cultura é aquilo que forma o homem interiormente. Ela exige atenção, continuidade e esforço. Não se consome cultura como se consome passatempo; ela transforma quem entra em contato real com ela.

A distinção conceitual é clara: entretenimento relaxa, cultura forma. O primeiro alivia tensões; a segunda educa a percepção da realidade. Confundir essas duas esferas é reduzir a formação intelectual ao conforto emocional.

O aprofundamento mostra que essa confusão gera uma infantilização do gosto. Obras passam a ser avaliadas não por sua verdade, profundidade ou permanência, mas pelo prazer imediato que proporcionam. O difícil é rejeitado; o exigente é rotulado como elitista.

O erro comum é defender que qualquer expressão simbólica é cultura. Esse relativismo dissolve o juízo e impede a hierarquização das obras, tornando impossível distinguir o que eleva do que apenas ocupa tempo.

O critério correto é perguntar: esta obra amplia minha compreensão do mundo e de mim mesmo? Exige algo da minha atenção? Resiste ao tempo? Se a resposta for não, trata-se de entretenimento legítimo — mas não de cultura formadora.

As implicações culturais são decisivas. Uma sociedade que troca cultura por diversão perde profundidade moral e intelectual, tornando-se vulnerável à manipulação simbólica.

Em síntese, preservar a distinção entre cultura e entretenimento é preservar a própria possibilidade de formação intelectual.

O essencial em poucas linhas

Cultura forma o juízo; entretenimento apenas ocupa o tempo.

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