Toda disputa política começa antes das leis e das eleições: começa na linguagem. As palavras moldam a percepção do real e delimitam o que pode ser pensado, discutido ou aceito como legítimo.
A linguagem não é um instrumento neutro. Ela carrega valores, pressupostos e enquadramentos morais. Quem controla os termos do debate controla, em grande medida, o próprio debate.
Olavo de Carvalho insistia que a política só pode ser compreendida a partir da análise da linguagem, porque é nela que as ideias se organizam, se disfarçam ou se impõem como evidentes.
O erro comum é tratar a corrupção da linguagem como detalhe semântico. Aceitam-se eufemismos, inversões de sentido e mudanças terminológicas sem perceber que isso altera o juízo moral dos fatos.
O critério correto é reconhecer que toda mudança relevante na linguagem é um ato de poder. Não se trata de palavras “novas”, mas de realidades simbólicas reorganizadas. Quem não reage nesse nível sempre reage tarde demais.
As implicações são visíveis: confusão moral, dissolução da responsabilidade e normalização do absurdo. Quando as palavras perdem precisão, a verdade perde defesa.
Defender a linguagem clara é defender a possibilidade de julgamento. Sem isso, a política degenera em manipulação emocional permanente.
Fechando o arco argumentativo:
Quem perde a linguagem perde o critério. E quem perde o critério já perdeu a política.